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Loja Schroder 177 da MRGLMERGS

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

REAA

Rito Escocês Antigo e Aceito

Artigo da Revista Franc-Maçonnerie |Novembro 2013 | Por Alain Bernheim
Bem conhecidos pelos maçons, o “REAA” é hoje um dos rituais mais praticados no mundo. 

Mas de onde ele vem? Para entender a origem dos rituais das lojas do Rito Escocês Antigo e Aceito devemos abordar duas áreas intimamente interligadas, a história e os “altos graus” que eles preferem chamar de “graus adicionais”. A menção a esses graus adicionais é quase tabu em loja simbólica, porque a sua organização é hoje hermeticamente separada das Grandes Lojas. Mas, nem sempre foi assim. Ao longo do século 18, as lojas azuis irlandesas trabalhavam com muitos graus adicionais e os comunicavam aos seus membros. A separação entre os três primeiros graus e todos os outros, na maioria dos países do mundo, ocorre somente depois de 1813, data essencial história maçônica. Por quê?

O século 18 além da Mancha Durante a segunda metade do século 18, duas Grandes Lojas rivais compartilhavam a Inglaterra. Uma foi fundada em 1717. É a ela que devemos as Constituições de Anderson. A outra foi criada também em Londres, em 1751. Essa criação não foi apenas o resultado de um cisma, porque os fundadores dessa segunda Grande Loja nunca tinham feito parte da Grande Loja de 1717. Trabalhadores imigrantes irlandeses, de origens modestas, eles estavam convencidos de que seu rito era o único autêntico. Eles tiveram a brilhante ideia de se autodenominar Grande Loja dos Antigos e atribuir à sua antecessora, a Grande Loja de 1717 o apelido de Grande Loja dos Modernos. Essas duas Grandes Lojas excomungaram-se reciprocamente por mais de sessenta anos, devido às diferenças entre os respectivos rituais, não só na Inglaterra, mas também nas colônias inglesas na América que se emanciparam em 1776 para se tornar os Estados Unidos da América.

Note-se que as Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia tinham relações apenas com a Grande Loja dos Antigos com a qual eles estavam de acordo para afirmar que os Modernos não respeitavam os Landmarks. As duas Grandes Lojas rivais decidiram se unir e fundaram a atual Grande Loja Unida da Inglaterra. O Ato de União foi assinado em Londres em 25 de Novembro 1813 e ratificado ao som de trombetas em 27 dezembro seguinte. Esse Ato decretava em seu artigo II: a pura maçonaria antiga consiste em três graus e não mais, aprendiz, companheiro e mestre, incluindo nela a Suprema Ordem do Arco Real.
Fórmula admirável ilustrando o senso de compromisso e a falta de lógica britânica: existem apenas três graus… que são quatro. É que, para a Grande Loja dos Antigos, a de 1751, a Maçonaria incluía não três, mas quatro graus, sendo o quarto o do Royal Arch.

O século 18 na França
Desde 1728 ou 1729, existia a primeira Grande Loja da França da qual ignoramos a data exata em que foi fundada. A Maçonaria francesa foi, então, ela também dividida. Em 1773, a maioria das lojas decidiu que os Veneráveis agora seriam eleitos, enquanto que antes, pelo menos em Paris, eles eram veneráveis vitalícios. Uma minoria recusou esta nova disposição e sobreviveu como o Grande Oriente de Clermont. A maioria assumiu o nome de Grande Oriente de França, que existe ainda hoje. Diferentemente da Inglaterra, é uma modalidade administrativa a eleição do Venerável de Loja e não uma questão de ritual, o que separou essas duas Grandes Lojas na França.
Em 1782, o Grande Oriente da França criou uma Câmara dos Graus que enviará às suas lojas, antes da Revolução de 1789, o texto dos rituais com os quais ela concordava. A união das duas Grandes Lojas francesas foi alcançada em 1799, mas durou apenas cinco anos. Para entender os motivos, precisamos voltar aos graus adicionais e à fundação do Supremo Conselho da França em 1804.

O século 18 no outro lado do Atlântico
No século 18, quando um Maçom recebia um grau adicional, ele tinha o direito de transmiti-lo a outro irmão. Na Europa, esses graus não estavam ainda constituídos em rito ou sistema, e não estavam sob a autoridade nacional com possibilidade de controlar a sua evolução, com exceção do Grão Priorado da Helvetia fundado em 1779.
Um comerciante francês, nascido em Cahors por volta de 1717, Étienne Morin, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da Maçonaria em Bordeaux. Ele viajava com frequência entre a França e Santo Domingo, então uma colônia francesa. Ele recebeu em Paris em 1761 uma carta constitutiva que lhe dava o direito de atribuir os “graus sublimes” então conhecidos da primeira Grande Loja da França, onde ele fosse. Voltando a Santo Domingo, ele auferiu lucros com inteligência notável acrescentando outros graus que ele possuía e fundou na Jamaica em 1769 um Capítulo abrangendo um sistema de vinte e cinco graus que ele havia criado a que chamou Ordem do Real Segredo.
Fonte: http://bibliot3ca.wordpress.com